sexta-feira, 7 de março de 2008

O coveiro

Uma tarde de abril suave e pura
Visitava eu somente ao derradeiro Lar;
tinha ido ver a sepultura
De um ente caro, amigo verdadeiro.
Lá encontrei um pálido coveiro
Com a cabeça para o chão pendida;
Eu senti a minh'alma entristecida
E interroguei-o:
"Eterno companheiro Da morte,
que matou-te o coração?"
Ele apontou para uma cruz no chão,
Ali jazia o seu amor primeiro!
Depois, tomando a enxada gravemente,
Balbuciou, sorrindo tristemente:
- "Ai! Foi por isso que me fiz coveiro!"
(Augusto dos Anjos)